terça-feira, 12 de março de 2019

sonho I

Filho, sinto que vens. Ontem enquanto eu dormia, você migrou do meu coração ao meu ventre. Fazia carinho no avesso da minha barriga. E em coágulos vermelhos anunciava que queria nascer, enquanto eu queria te reter em mim porque era cedo demais. Teu pai dormia enquanto tu ameaçavas vir ao mundo. E era só nós dois nessa luta: você me paria/fazia mãe e eu que te buscava segurar em mim, o quanto pudesse, por meio de Ave Marias.

Acordo abraçando o vazio. Voltastes ao meu peito. Minha barriga é lisa. Meus dedos desnudos. Se durmo mais, me atraso para a aula.

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